CABEC - Caixa de Previdência Privada BEC

Notícias

10.05.2018
Dólar sobe para R$ 3,59; maior valor desde 2016

O dólar comercial registrou valorização de 0,72%, cotado a R$ 3,594. Já a moeda norte-americana à vista subiu 0,58%, para R$ 3,597
São Paulo. O dólar subiu para R$ 3,59, ontem (9), no terceiro dia de valorização, por causa do temor de altas adicionais de juros nos Estados Unidos. Declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, sinalizando queda de juros no Brasil também contribuíram para a alta da moeda. O dólar comercial avançou 0,72%, para R$ 3,594, o maior nível em quase dois anos - desde 31 de maio de 2016 (R$ 3,614). O dólar à vista, que fecha mais cedo, teve alta de 0,58%, para R$ 3,597.

Na Bolsa brasileira, o índice Ibovespa subiu 1,58%, para 84.265 pontos. O avanço foi impulsionado pela forte alta das ações da Petrobras, em dia de valorização dos preços do petróleo após os Estados Unidos deixarem o acordo nuclear com o Irã.

A alta do dólar teve componentes externos e domésticos. Lá fora, cresce a perspectiva de novos aumentos de juros nos EUA, o que se reflete no rendimento dos títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, que bateu 3%.

A valorização tem como pano de fundo a alta dos preços do petróleo, que poderia gerar uma pressão inflacionária nos Estados Unidos. O petróleo subiu mais de 3%, depois que os EUA saíram do acordo nuclear com o Irã e estabeleceram prazo para que países revisassem a quantidade de petróleo que compram do país. Para evitar que a inflação fique muito acima da meta de 2% ao ano, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode acelerar o aumento de juros no país, diz Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria. Isso tende a atrair dinheiro hoje em países emergentes, como o Brasil, o que provoca o aumento do dólar.

Outro fator que contribuiu para a foram declarações do presidente do Banco Central que foram encaradas como uma sinalização de que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) reduzirá os juros na reunião da próxima semana.

Se confirmada, a diferença entre a taxa de juros entre Brasil e Estados Unidos diminuiria ainda mais, o que reduz a atratividade dos títulos brasileiros -pressionando em alta a moeda brasileira. "É um custo de oportunidade global. O investidor não precisa mais se expor a risco para ter rendimento maior, pois o título americano está rendendo mais. Isso atrai dinheiro de emergentes", diz Lavieri.

Crise na Argentina

A crise cambial na Argentina também se manteve no radar dos investidores. O pedido de socorro que o presidente argentino, Mauricio Macri, fez ao FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a tensão no Congresso. O peso argentino voltou a se desvalorizar em relação ao dólar nesta sessão (-0,23%).

Nesta sessão, o Banco Central voltou a vender a oferta de 8.900 contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, já rolou US$ 2,225 bilhões dos US$ 5,650 bilhões que vencem em junho. O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) recuou 1,23%, a 196,2 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados caíram, refletindo as declarações de Ilan. O DI para julho deste ano recuou de 6,267% para 6,246%. O DI para janeiro de 2019 teve queda de 6,330% para 6,315%.

Ações

A disparada das ações da Petrobras ajudou a impulsionar a Bolsa nesta sessão. Os papéis preferenciais da estatal subiram 8,16%, para R$ 24,78. As ações ordinárias tiveram ganho de 10,02%, para R$ 27,22.

As ações reagiram não só ao balanço da estatal, divulgado na sessão anterior, mas também ao aumento de mais de 3% das cotações do petróleo, diz Mário Roberto Mariante, analista chefe da Planner Corretora.

Das 67 ações do Ibovespa, 43 subiram, 23 caíram e uma fechou estável. Além das ações da Petrobras, os papéis da Suzano subiram 7,18% e estiveram entre as maiores altas do Ibovespa.

A Marfrig se valorizou 6,66%, em meio a notícia da agência Bloomberg de que Tyson Foods, Cargill e Fosun International teriam demonstrado interesse na potencial aquisição da Keystone Foods. A maior queda foi registrada pelos papéis da Gol, que perderam 9,85%.

Diário do Nordeste

voltar