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22.05.2018
Efeitos do dólar caro inflacionam a vida do consumidor cearense

A escalada contínua do dólar, somada à inflação nacional, cuja estimativa para este ano subiu de 3,35% para 3,5%, vem pressionando cada vez mais para cima os preços de diversos itens consumidos diariamente pelo brasileiro, desde alimentos e medicamentos a produtos eletroeletrônicos e combustíveis.

Na última quinta-feira (17), a moeda norte-americana fechou a R$ 3,70, atingindo o maior valor registrado desde março de 2016. Do dia 2 a 18 de maio, acumulou alta de 5,6% ou R$ 0,20, saltando de R$ 3,54 para R$ 3,74.


Em decorrência da valorização da moeda norte-americana, desde o início deste mês, o preço do pão francês nas padarias do Ceará aumentou 10%, em média. Hoje, o preço do quilo do pão carioquinha tem variado de R$ 9 a R$ 15, sendo R$ 12 o valor médio.
O reajuste, segundo o presidente do Sindicato das Indústria de Panificação e Confeitaria do Ceará (SindPan), Ângelo Nunes, se deve à instabilidade do dólar e especialmente à quebra da safra do trigo na Argentina, um dos principais fornecedores do insumo para o Brasil. "Devido a problemas climáticos, a Argentina perdeu quase metade da safra de trigo dela. E, como o trigo para fazer a farinha aqui no Brasil é importado, é cotado em dólar".


Com a baixa na quantidade de trigo fornecido pela Argentina, é necessário buscar o produto a preços mais elevados no Canadá e nos EUA. "Tem a questão do frete, devido a distância e as taxas de importação", contabiliza Nunes.

Sobre a diferença de preços do pão francês praticados no Ceará, ele diz que se deve à composição de custos arcados por cada estabelecimento. "O preço depende muito da localização de cada loja. Existem algumas climatizadas, com atendimento diferenciado e outras padarias em periferias, onde o trabalhador mora perto, vai almoçar em casa e não recebe vale transporte", diz. Todos estes fatores, arremata, impactam diretamente no preço final dos produtos.

A expectativa do presidente do SindPan é que o dólar se estabilize em breve, evitando novos reajustes. Caso haja uma variação pequena, projeta, o setor não será impactado.

Em âmbito nacional, os principais produtos a base de trigo devem ficar mais caros até o final do primeiro semestre de 2018, estima o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), Cláudio Zanão.

Segundo ele, o macarrão e o pão - que levam mais farinha de trigo - vão ter um reajuste de 25%, enquanto biscoito deverá variar de 12% a 15%. No segundo semestre, a tendência já é de queda nos preços. A desaceleração, porém, vai depender da resolução de fornecimento do trigo e ainda dos estoques e estratégias adotados pelas indústrias.

"O Brasil consome 6 milhões de toneladas de trigo da Argentina por ano e somos muito dependentes desta importação. Estamos buscando trigo mais caro nos EUA e Canadá, mas todo mundo quer vender mais, então o varejo vai segurar os preços o máximo possível".

Frutas e hortaliças

O analista de mercado das Centrais de Abastecimento do Ceará S.A (Ceasa-CE), Odálio Girão observa que, desde o início do mês de maio, o consumidor cearense já sente no bolso um aumento no preço das frutas e das hortaliças. Especialmente as importadas.

O quilo do caqui, normalmente trazido da Argentina, Chile e Espanha, passou de R$ 8,25 a R$ 11, de maio de 2017 para maio de 2018. Uma variação de 33,3%.

"Temos um mercado que importa produtos de outros países e está muito volátil com essa subida do dólar. Creio que a partir desta semana já vamos sentir um impacto ainda mais forte, já que vamos receber mais mercadoria importadas de vários países", corrobora o analista.

Outro produto afetado pela alta do dólar é a uva passa. Uma caixa de 10 kg, que custava R$ 110, agora sai a R$ 120. O quilo do pêssego, antes vendido a R$ 15 no atacado, saltou para R$ 17. No varejo, é vendido a R$ 28, em média.

Estiagem

Além da alta do dólar, Odálio Girão cita como outro fator para onerar os preços a queda na produção de frutas e hortaliças no Nordeste, devido à seca.

"Não tem ainda como prever quanto será a alta geral, somente a partir do ingresso de novos produtos", ressalta, citando como exemplo "fora da curva" o alho importado da China. De maio de 2017 para maio deste ano, o produto apresentou uma variação negativa de 38,14%, caindo de R$ 19,40 para R$ 12, o quilo. A baixa é justificada pela existência de estoque do produto no Estado, cuja comercialização, em geral, é mais lenta.

Medicamentos

Básicos na vida de qualquer pessoa, os medicamentos consumidos no Brasil também demandam muita matéria importada em sua fabricação. Apesar disso, alerta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma-CE), Maurício Filizola, consumidores de todo o País não devem ser surpreendidos com o aumento de preços dos medicamentos, tendo em vista que o reajuste ocorre somente uma vez por ano, a cada 31 de março, e com a devida regulação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Este ano, o reajuste autorizado pelo governo federal foi de 2,43%. "Claro que o dólar em um patamar mais alto impacta (nos preços), mas ninguém sabe na prática como vai ser na ponta porque os preços são tabelados". Fora que alguns players do setor podem absorver a alta.

O que pode acontecer, segundo Filizola, é um reajuste da tabela "maior que o esperado" no ano que vem e a indústria diminuir, dentro de um a dois meses, os descontos que dava ao distribuidor em cima do Preço Máximo ao Consumidor. Levando consequentemente o varejo a também mexer nas suas margens de desconto, caso queira. "Os varejistas não podem subir os preços. A variação cambial pode tirar condições comerciais e os descontos oferecidos pela farmácia ao consumidor poderão diminuir. Mas este mercado é muito dinâmico, existem muitas variedades de marcas e o consumidor pode até chegar a não ser nem atingido no final".

Diário do Nordeste

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