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18.06.2018
Doença silenciosa, glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo

Apesar de atingir cerca 70 milhões de pessoas em todo mundo, segundo OMS, o glaucoma ainda é pouco conhecido pela população. Desconhecimento oferece riscos, aponta oftalmologista

Doença silenciosa que atinge cerca de 70 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda causa de cegueira permanente no mundo. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde (MS) apontam que cerca de 900 mil pessoas sofrem com a doença.

A patologia costuma surgir por volta dos 40 anos de idade, período em que as idas ao médico devem ser intensificadas, explica a oftalmologista Socorro Carvalho. “A pressão do olho vai aumentando e seu nervo vai sofrendo um dano por conta desse aumento. A visão vai ficando ruim, as pessoas acham que os óculos estão velhos, chegam aqui achando que precisam trocá-los, mas o problema não é esse. A única maneira de saber [se o paciente tem glaucoma] é fazendo um exame oftalmológico para medir a pressão do olho.”

Na maioria das vezes o glaucoma, pondera a médica, precisa ter alguns fatores de risco observados. “O corticoide é um excelente anti-inflamatório, mas ele pode predispor o aumento da pressão do olho, então temos que usá-lo com muita parcimônia. Há riscos também para quem apresenta pressão alta e diabetes”, aponta.

Ela destaca ainda que, apesar de a doença estar ligada a fatores genéticos, parentes costumam desconhecer a presença do glaucoma na família. “Quando perguntamos ao paciente se existe algum caso de glaucoma na família, ele não sabe responder, porque não conhece a doença. Ao longo da consulta ele vai lembrando ‘Ah, eu tenho uma tia que usa um colírio pra baixar a pressão do olho’. Então fica difícil você prevenir, tratar algo que você não sabe o que é.”

Catarata segue como preocupação

A doença que mais causa cegueira no mundo segue sendo a catarata, que costuma aparecer por volta dos 50 anos de idade. Cirurgias que corrijam a opacidade do cristalino, forma técnica de se chamar a doença ocular, estão entre os procedimentos mais procurados na oftalmologia, explicaa oftamologista. “A catarata é um processo fisiológico do ser humano. Desenvolve-se naturalmente à medida que a pessoa vai envelhecendo. Não tem escapatória: se a pessoa vai viver muito tempo, vai apresentar catarata. A gente nem considera mais doença. Todo mundo tem um parente, geralmente de mais idade, que fez uma cirurgia. Então é mais fácil as pessoas terem conhecimento do que é a catarata.”

Cuidados com saúde ocular desde a infância

A prevenção na saúde dos olhos começa com a realização do “Teste do Olhinho”, também conhecido como “Teste do Reflexo Vermelho”. Aplicado em bebês, o exame não busca compreender se a criança necessitará de óculos, mas se existem alterações na anatomia ocular, explica a oftalmologista. “Nesse teste, a gente observa se a criança nasceu com alguma alteração anatômica, que impeça o desenvolvimento correto da sua visão.”

Depois da realização deste exame, o ideal é que os pais levem seus filhos pela primeira vez ao oftalmologista por volta dos três anos de idade. “[Esse período] é quando a criança começa na escola a copiar da lousa, a escrever, ou seja, começa a usar a visão para longe. Até então, ela usava a visão mais para perto, em atividades como pintura, por exemplo. Hoje, as pessoas estão mais conscientes, não há mais aquela ideia de que se é criança, então não tem problema de visão. A escola vem ajudando. Às vezes, a mãe traz a criança orientada pela professora.”

Ainda em relação à infância, o tempo passado na frente do celular ou computador pode acelerar o processo de miopia, adverte Socorro. “Existem trabalhos [científicos] que mostram que crianças que passam muito tempo de frente a telas de computador, celular, aumentam mais o grau, ou seja, a miopia vai se desenvolver mais rápido.” Curiosamente, essa relação ‘celular-miopia’ não se repete em adultos, pondera. “É comum as pessoas acharem que o problema de vista delas decorre de muito tempo no computador, nos celulares, mas não existe uma relação direta de causa e feito. Pelo menos até agora não é o que os estudos apontam.”

O Povo

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